"Penso que cumprir a vida seja simplesmente compreender a marcha e ir tocando em frente"

Tocando em frente - Almir Sater

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Ceará, Brazil
Sou um Filho de Deus, antes de tudo. Católico Apostólico Romano, adepto da Renovação Carismática Católica, Ministro de Música por Dom de Deus, Professor de Educação Física por Profissão, mestrando em Fisiologia, que sempre tenta fazer as coisas com o Coração, e sempre busca deixar o Coração nas coisas do Alto. Casado e completamente apaixonado por ela (te amo, Gi), também sou extrovertido, às vezes sarcastico, e um eterno aprendiz (como todo professor deveria ser).

domingo, 7 de junho de 2009

DB - DIA TRÊS – 12.06.08 (QUI)

Musée du Louvre

 

Tínhamos colocado o despertador para 7h30, porque pela manhã o passeio era pelo rio Sena, no Bateaux-Mouches (ou batô-muchi, como queiram), passando pela catedral de Notre-Dame, parando no Louvre para almoçar e então fazer o passeio pelo mais famoso museu de Paris. Era mais um pacote opcional (assim como o do Louvre), Giselle costuma enjoar fácil, resolvemos não andar no Sena e irmos sozinhos para alguns pontos que ainda não tínhamos visto, a própria Notre Dame, a Saint-Sulpice, os Jardins de Luxemburgo, passear com mais calma pela Champs-Elysées, até a Concórdia, a Bastilha... então não precisaríamos acordar tão cedo.

O celular tocou na hora prevista, eu me levantei, desliguei, e me deitei de novo, tanto a Gi quanto eu queríamos dormir mais um pouco. Um pouco... Acordei com a Giselle dizendo: “Davi, você sabe que horas são?!”

Geralmente quando ouvimos uma pergunta dessas é porque alguma merda aconteceu. Dito e feito, dormimos em euros! De tão cansado eu sequer me lembrava que tinha me levantado pra desligar o celular. Já era mais de meio-dia, perdemos o café da manhã e a manhã todinha de passeios por Paris.

Rápido nos arrumamos, havíamos combinado com René que estaríamos no Louvre na hora marcada para nos juntarmos ao grupo e começar a visitação do Louvre, por volta das 14h30. Quando descemos do quarto, na saída do hotel, vimos que tava chovendo. Lá vamos nós subir de novo, pegar os casacos e a sobrinha. Pense numa chuva fria! Gelaaaada! Descobri que meu companheiro, o casaco, resistia bem a chuva, e deixei a Gi com a sobrinha, e fomos andando até o metrô para daí irmos para o museu.

Quando chegamos, fomos direto ao mezanino para almoçar, mas tava lotado. Resolvi então pedir pizza mesmo que ficava mais fácil de comer em pé nos pequenos balcões que havia espalhados pelo corredor de alimentação. Depois descemos mais um pouco para então nos encontrarmos com o povo.

Ficamos esperando um pouco enquanto René separava o grupo por língua e enquanto o pessoal do museu ajustava os rádios para que pudéssemos ouvir a guia, sem que necessariamente ela precisasse gritar ou ficar todo mundo amontoado. Enquanto isso fomos numa daquelas máquinas de refrigerante, só que de chocolate. Comprei um chocolate, só que ele ficou enganchado na máquina. Puto da vida, coloquei o mesmo valor e aí a máquina nos deu dois chocolates e ainda devolveu o preço de um. Máquina honesta né?! Nos deu o que pagamos e mais um pelo transtorno. E pense num chocolate gostoso, da Nestlè, um tal de Lion que não tem por aqui, trouxemos um estoque dele.

Nossa guia no museu era Violeta, se não me engano era francesa, mas falava um português muito fluente, e mostrou muito conhecimento das obras do Louvre. O museu por dentro tem, entre andares e galerias, em torno de 15 km. Não daria para ver tudo num dia, nem em dois, diz-se que leva até um mês para se ver todo o museu com a devida contemplação de cada obra.

Então fomos passando por várias obras, fui tirando várias fotos, e paramos para explicação somente em algumas mais importantes e valiosas. Para sintetizar as quase 4 horas que passamos ali dentro, me impressionei com os tetos, muitos em ouro, abobadados, os lustres, o piso de alguns salões são muito bonitos (como o conhecido piso de parquê da grande galeria, famoso pelo Código Da Vinci), bem como por várias obras maravilhosas, várias jóias muito bonitas...

Passamos pelas antigas fundações do castelo do Louvre, vimos esculturas antigas, como a Vênus de Milo e a Vitória Alada, vimos achados da Roma Antiga, do Egito Antigo, como uma esfinge, vimos famosos quadros de Delacroix, Da Vinci (Mona Lisa, Madona das Rochas), Veronese (As Bodas de Caná), tinha um pintor chamado David, que pintou várias obras da realeza na época de Napoleão, vimos vários Caravaggio’s...

Tinha também vários salões reconstituídos da nobreza francesa, completamente mobiliados. Havia um pátio interno que tinha várias estátuas, e me chamou a atenção 4 delas, que representavam as estações, e outra que mostrava fielmente o sofrimento de um homem acorrentado...

Sinceramente, são pessoas iluminadas essas que realizaram estas obras, com tanta perfeição e detalhes, visíveis e ocultos. Há razão em se valorizar tudo isso, aprendi que pode ser muito prazeroso visitar um museu, coisa que não tinha hábito, que havia realizado e que amei, sem contar na aula de história que se leva de um lugar desses. Dez mil vezes melhor que um Moulin Rouge!

 

Parri, Parri!!!

 

Terminada a visita ao Louvre, já umas 18h, mas ainda dia, fomos então para alguns pontos que havíamos planejado. Saímos do museu e fomos caminhando pela rua (Quai des Tuilleres), ao lado do Sena, com o passo um pouco apressado para pegar a Notre Dame ainda aberta.

Fomos andando, o clima ainda um pouco frio, mas não tão frio como tava de manhã. Nessa viagem pegamos a Europa em final de primavera, com temperaturas bem agradáveis, mas nesta quinta-feira pegamos um friozinho abaixo dos 10 graus. Entramos na Ilé de La Citè, onde se fundou Paris, e perguntei a um guarda qual onde era a catedral.

Andamos mais um pouco e finalmente chegamos a majestosa igreja. É muito diferente do que estamos acostumados, suas torres góticas incompletas dão um charme, uma sensação diferente. Ficamos um pouco sentados no pátio externo, fotos, depois entramos.

É incrível como a catedral é escura e grande, praticamente só o altar principal é bem iluminado, e há várias capelinhas nas laterais. Chamou-nos a atenção a beleza dos vitrais e do altar. Tava tendo missa na hora, algumas pessoas não respeitam mesmo e tiram fotos com flash e falam alto, mas esta é a culpa da fama. Entendi então porque na Sacré-Coeur me impediram de tirar fotos.

Circulamos por dentro da Notre Dame, compramos medalhas de recordação da catedral, e saímos para tirar mais algumas fotos. Fomos para uma rua lateral, mais fotos da catedral, compramos um sanduíche muito comum lá, com baguete e salame, gostoso, com uma coca de 50 cl (lá eles usam cl em vez de ml), e fomos andando procurando um canto para sentar.

Encontramos um parque atrás da catedral, parece pertencer a própria Notre Dame, muito bonito, árvores, bancos, sentamos pra comer. Depois tiramos mais fotos de monumento a virgem e da catedral. Como tudo era um pouco perto, dali fomos andando para o monumento da Bastilha. O bom de ter ido a pé foi de ver mais detalhes de Paris, de como é uma cidade bonita, não só nos pontos turísticos.

Perguntei a outro guarda se o caminho tava certo, e então chegamos a Bastilha. Mais algumas fotos e pegamos o metrô rumo a praça da Concórdia. Nesta praça está o obelisco que Napoleão trocou com os egípcios por um relógio, é da onde se tira a mais famosa foto da Champs-Elysées, com o Arco do Triunfo ao fundo.

Tinha uma bandinha (de metais e percursão) tocando perto da praça, muito legal. Mais fotos, um pedacinho descansando e acabamos por decidir que já havíamos visto muito de Paris. A Gi tava muito cansada, eu também um pouco. Ela ainda queria entrar nos Jardins de Luxemburgo, mas já tínhamos visto, eu queria ainda ver a Saint-Sulpice, mas já tava tarde, talvez não conseguisse entrar, resolvemos voltar ao hotel.

Pegamos o metrô de volta, passamos para jantar no McDonald’s mesmo, e fomos pra “casa”. Aproveitei que era de graça para passar as fotos e descarreguei as fotos das máquinas para os pen-drives, enquanto a Gi foi subindo para arrumar as malas. Era tanta foto, demorou tanto que Paulo veio conversar e perguntou (brincando) se eu sabia usar aquilo. Demorou tanto que quando eu subi, ela já tava dormindo. Aproveitei que ainda era “cedo” e fui finalmente conhecer a banheira, água bem quentinha, um dos poucos momentos livres só para relaxar. Fim do terceiro dia.



continua...

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DB - DIA QUATRO – 13.06.08 (SEX)

Au revoir, Paris

 

Acordamos por volta das 6 horas para terminar de arrumar as malas. No saguão do hotel, no dia anterior, tinha visto que nossa partida seria às 8h. Descemos para tomar café da manhã, gostoso como da outra vez, e fomos pegar nossas malas e esperar na entrada do hotel.

Foi aí que soubemos da triste notícia da mudança de guia e que alguns dos que estavam conosco no grupo ou estavam terminando o passeio ou iam para outro destino. Tinha gente que pra Zurique com René, outros iam para Londres, nós iríamos para Bordeaux com a Toña.

Nosso ônibus demorou a chegar, vinha de outro hotel onde estavam algumas pessoas que estavam continuando a excursão de outro ponto. Quando subimos, quem disse que tinha lugar pra todo mundo?! Conseguimos pegar uma poltrona na frente, mas tinha algumas poltronas ocupadas por apenas um passageiro.

Mas o povo foi se organizando, foi entrando, enquanto o bruto do motorista, um tal de Federico (sem o r mesmo), socava as nossas malas lá em baixo. A Europamundo dizia que tínhamos direito a uma mala grande de 30kg e outra de mão, cada um. Nossas malas não pesavam nem 20kg e o cara ficou reclamando que estavam pesadas de mais. O problema mesmo é que teve gente que levou duas malas grandes, ocupando muito espaço no ônibus.

Mas enfim... A Toña não contou quantos passageiros estavam no ônibus para conferir com a lista – coisa que o René fazia umas 5 vezes – e mandou o motorista partir. Veremos que este não foi o melhor dia da viagem...

O que dizer então?! Adeus Paris, amamos você, até a próxima, já estamos com saudades!

 

Vale Du Loire

 

Pegamos a estrada descendo para o sul da França, passando pelo vale do rio Loire, rumo a Bordeaux, com uma parada em cidade chamada Blois (se pronuncia Bloá). Mas antes de chegarmos lá, passamos por belos caminhos, grandes prados bem verdinhos e floridos, a estrada muito bem pavimentada e ornamentada com mais flores nos canteiros, uma estrada tão boa que o ônibus podia ir a 100 Km/h e muitos carros e motos passavam voado por nós.

Ainda no meio do caminho vi uma cena até então desconhecida para mim: uma usina nuclear com duas chaminés em plena atividade, lançando seus vapores na atmosfera. E falando em vapor, que lembra calor, simplesmente o ônibus começou a esquentar. O abestado do motorista tinha ligado o ar, alguém falou que tava frio lá trás, e o que ele fez?! Simplesmente ligou o aquecedor! Putz, bastava diminuir ou desligar. E a viagem foi inteira assim, quando não era frio, era calor, e isso porque o ar-condionado era digital, com graduação em decimais.

Percebemos que de vez em quando ele ligava era o ventilador na velocidade máxima, e entendemos que ele fazia isso pra ajudar a fumaça do cigarro dele a sair do ônibus pela janelinha do lado dele. E isso porque havia por todo ônibus o aviso de proibido fumar. Tava para arrancar um desses avisos e colocar bem na frente dele. Reclamei com a Toña sobre o cigarro e sobre o volume do rádio, que tava alto demais, e ela fez uma cara de “ô povo chato”! Se ela fizesse tudo direitinho ninguém ficava reclamando. Pois ela foi nossa pior guia.

Quando chegamos em Blois, ela começou a falar um pouco da cidade, do castelo, que podia ser visitado, e chegamos a uma igreja, que ficou como sendo o nosso ponto de encontro. Ela indicou onde havia banheiro – no ônibus não tinha – e aonde subiríamos pro castelo. Eu pensando que ela iria com a gente, que nada! Subiu no ônibus e saíram ela e o motorista sabe lá para aonde.

Foi aí que juntamos com algumas pessoas do grupo para não nos perdermos e começamos a falar da diferença do René para a tal da Toña. Depois fomos subindo rumo ao castelo, passando pela praça muito bonita, atrás da igreja de São Vicente.

Blois em si era muito bonitinha, ou como dizia no nosso roteiro, pitoresca. Casas com chaminés, bem bonitas também, ruas, praças, o castelo também era bonito (apesar de pequeno). Eu e Gi não entramos no castelo, preferimos passear um pouco, tirar belas fotos do local, entramos numa casa que era a casa da magia, tipo um museu ou a casa onde morou o mágico Robert-Houdin. Quando saímos, começou uma “apresentação” da casa: das janelas da mansão saíram dragões de papelão - ou eram jacarés, não sei - como se fossem engolir as pessoas que estavam perto da casa.

Fomos a algumas lojas, compramos lembrancinhas, e depois compramos um lanche e fomos comer na praça. Eu errei na pedida, um biscoito de batata super gelado, intragável, não consegui comer todo. A Gi foi que se deu bem, comprou um biscoito com chocolate dentro, delicioso.

Depois entramos na igreja de São Vicente, que por fora ninguém dava nada, mas era muito bonita por dentro, com esculturas e vitrais. Tava tendo adoração na hora, e aproveitamos para agradecer a Deus por tudo de bom que tava acontecendo com a gente.

Ficamos um pouco, depois saímos atrás dos banheiros públicos e fomos para o outro lado da igreja, onde era pra gente esperar o ônibus vir nos buscar. Demorou um pouco, o ônibus chegou, entramos todos e caímos na estrada de novo, para logo depois entrarmos em um estacionamento de um posto da rodovia, onde tinha um restaurante, local do nosso almoço.

 

A tal da comida francesa

Na hora fiquei meio confuso pra onde ir, se pro setor dos lanches ou de pratos a la carte. Fomos então pra comida mesmo, pedimos mesa para dois, nos levaram pra um canto bem afastado. Eu tava morrendo de vontade de comer comida de verdade, mas não conseguia entender direito o cardápio. Então a Giselle arriscou no que parecia mais óbvio, um tal de Boeuf a Tartarie. Resolvi encarar também o prato, boeuf é bife em todo lugar do mundo. Complementei com uma taça de vinho e a Gi com refrigerante.

Depois de muito esperar, chegou nosso prato. A primeira vista o prato era até bonito, tinha uma gema de ovo no meio, mas cadê o bife que pedimos? Jurei que eles tinham se enganado, e só quando eu fui mexer no prato foi que eu percebi que a carne era praticamente crua, só moída pra ficar fácil de comer. E agora, como reclamar em francês, se nem a garçonete nem nós éramos fluentes no inglês?

Giselle só conseguiu provar do prato dela e mais nada, a carne além de parecer crua era gelada! Vinha com umas batatas-fritas acompanhando, uma saladinha, mas a carne era completamente ‘sem-noção’! Quando eu provei, nossa... Era carne, tinha gosto de carne, que um dia na vida dela deve ter passado por algum fogo, gelada e moída, e o ovo completamente mole, quase cru também.

Taquei sal pra ver se ajudava a descer, e vale dizer aqui o provérbio: o melhor tempero é a fome! Eu ainda comi um pouco, devorei as batatas, mas teve uma hora que começou a dar um engodo no estômago que não consegui mais comer.

Não cheguei a provar do prato da Giselle, mas a carne dela tinha uma cor diferente, como se tivesse passado um pouco mais de tempo no fogo. Mas parece que estava pior, porque havia um casal de franceses comendo ao nosso lado, pratos diferentes, só que com a mesma carne, sem ser moída e sim fatiada. Benditos franceses! Quando a senhora percebeu que a Gi não havia comido nada e que eu não estava com uma cara muito boa, ela nos interpelou em inglês: “No Good?!”

Começamos um pequeno diálogo dizendo que não tínhamos feito a escolha certa, e ela dizia que era notório que a carne dela não estava boa. Foi quando a garçonete trouxe a conta deles e o casal começou a discutir com ela aquela comida não tava boa e tudo mais... a garçonete pegou o prato da Giselle e levou.

Pouco depois ela voltou com o prato do mesmo jeito, discutindo mais alguma coisa com a casal, sei que teve um momento que eu percebi que a garçonete tinha concordado com o casal que nós só iríamos pagar uma refeição, a minha, pois parecia que eu havia gostado, tinha comido mais da metade.

Menos mal, o prejuízo foi menor. Mas também não queríamos nem outro prato (e arriscar de novo?), e também havíamos perdido a fome. Bendito casal francês, dois anjos que Deus colocou no nosso caminho. Agradecemos quando eles saíram, logo depois saímos também.

É aí que discordo da opinião de alguns da nossa viagem que diziam que foram mal-tratados pelos franceses, que todos franceses são arrogantes, ignorantes, bossais. Do mesmo jeito que encontramos gente chata - um atendente ignorante aqui, um parisiense impaciente com os turistas no meio do caminho acolá, um vigia de uma igreja ali – também nos encontramos com gente finíssima, como algumas pessoas de Versalhes, do Louvre, do McDonald’s, do metrô, e muito dos transeuntes e guardas que tivemos algum contato. Em qual lugar do mundo não é assim?!

A própria garçonete que nos atendeu neste restaurante de estrada foi super solicita com a gente e logo depois foi grossa com a D. Célia por conta de uma divergência no troco, na hora do caixa. Mas enfim, pagamos, comprei mais uns chocolates caso a fome resolvesse aparecer no meio do caminho e fomos pro ônibus, antes do que era previsto. Pois não é que a Toña já tava chamando todo mundo, reclamando que a gente tava atrasado?! Nã, ô mulherzinha abestada!

 

Bordô

 

Então pegamos a estrada de novo, agora saindo do vale do Loire e indo em direção a Bordeaux. Mas antes passamos por Tour para deixar um casal que ia continuar a viagem pelas outras cidades do Vale, com outro grupo. Não deu pra ver quase nada da cidade. Voltamos pra pista, continuei apreciando a paisagem das auto-estradas francesas, os carros que passavam, as casas, os campos...

Em algum momento um passageiro pediu para dar um parada técnica, e simplesmente a Toña disse que só íamos parar em Bordeaux. Mas aí foi outro, e mais outro, e aí ela pediu pro Federico parar no próximo posto 10 minutinhos para quem quisesse. Já pensou, passar quase 5 horas num ônibus sem banheiro e sem nenhuma parada?!

Depois tiramos direto para Bordeaux, e chegamos lá perto das 19h, ainda dia, e fomos vendo uma cidade bonita, com um rio, mas sem nada demais, ruas normais, casas normais... Pensei que ia ver um monte de vinícula, dos famosos vinhos e tal, mas entramos logo no centro da cidade e fomos para o hotel Meriadeck Centre.

Disseram que iam subir nossas malas, e não subiram. Nosso cartão do quarto também não tava pronto. Quando eu tirei as malas do ônibus, o desgraçado do motorista colocou de um jeito que a minha mala foi roçando num ferro, rasgou na lateral, ô ódio! O quarto tinha aspecto antigo, só uma TV LCD era moderna, a vista era paia, não tinha nada demais. Só serviu pra gente dormir mesmo.

Fomos então para um shopping em frente ao hotel para aproveitar alguma coisa, mas já tava tudo fechando. A Gi ainda conseguiu comprar uma bolsa, fomos ao mercantil comprar um lanche, e nada mais. Deixamos nossas comprinhas no quarto e descemos de novo para nos aventurar pela cidade. Fomos no que era pra ser o centro comercial, mas já tava tudo fechado.

Então avistamos a Catedral de Santo André, e fomos até lá, tiramos umas fotos, andamos mais um pouco e nada. Fomos pro lado da praça Gambetta, passando de novo pelo arco da cidade (que não tinha o mesmo charme do Arc de Triumph), atrás de um canto pra gente jantar. Achamos uma lanchonete, com um povo bem receptivo, pedimos sandubas com refri e batatinha, comemos e voltamos pro hotel, já fazendo um pouco de frio.

Chegando no Hotel, fomos no telefone público que havia do lado ligar para nossas casas. Era 22hs, o sol se pondo e a cidade completamente morta. Encontramos Paulo fumando (pra variar) na entrada do hotel, e comentou que foi pedir um prato para comer uns queijos com vinho que ele havia comprado e o serviço de quarto não atendeu. Resumindo bem a história, tirando Blois, o dia foi perdido. E tirando a catedral que descobrimos por conta própria, Bordeaux foi só uma parada estratégica para dormirmos.

Eu bem que havia pensado e confirmei que Blois era só um pretexto para que não disséssemos que o dia foi inteiro de viagem, porque foi exatamente isso que foi. Não chamo de pior dia, porque apesar dos pesares, estávamos aproveitando tudo o que podíamos e, como diria o Alex, concorde com nossas amigas Claudia, Iracema e Maria Alice (que fizemos maior contato neste dia), até sofrer na Europa ‘és mui chique’!

Pelo conjunto da obra (e do começo do próximo dia) não foi o melhor dia, não foi o melhor hotel, não foi o melhor atendimento, não foi a melhor cidade, não foi a melhor guia nem o melhor motorista. Só teve uma coisa que foi muito boa, mas como diz o atual jargão da TV brasileira e que foi muito repetido por algumas senhoras do ônibus, ‘prefiro não comentar’! Fim do quarto dia.



continua...

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DB - DIA CINCO – 14.06.08 (SÁB)

‘Vamos a la praia, ô ô ô ô ô!!’

 

Acordamos cedo pra variar! Tínhamos que deixar malas organizadas e com uma identificação no saguão para que o povo do hotel fosse pegar para colocar no ônibus. Resolvemos levá-las nós mesmo, porque na outra vez que deixamos as malas na mão de alguém, rasgaram a minha. Fomos pro mezanino, tinha dois buffets de café da manhã.

Fomos pro que tava aberto na hora, que era pra ser o nosso mesmo, o outro era para outros clientes. Eu só sei que não era que nem o de Paris, que a gente ficava bem a vontade, e que tinha ovos, frutas, bacon... Agora tinha apenas um brioche para cada, já posto no prato, um espaço minúsculo, não tinha como se deslocar sem mexer em alguma cadeira, e só tinha pão duro, leite, café, nescau!

Comemos um tanto quanto rápido para subirmos, pegarmos nossas malas aí sim deixar no saguão, e ir para o ônibus, ficar na fila para conseguirmos um local bom (já que tava tão lotado). Quem foi que disse que o povo do hotel levou nossas malas?! Deixei Giselle na fila, fui atrás das malas, quando eu voltei, eles já tinham aberto o ônibus.

Todos os nossos ônibus na Europa tinham uma coisa em comum: não tinham banheiro porque tinham duas portas, uma perto do motorista, como a gente conhece, e outra no meio do ônibus. Pois o ‘feladamãe’ do motorista abriu primeiro a porta do meio, e um bocado de gente entrou antes da Gi, e ainda teve uma senhora na frente dela que não queria entrar.

Pegamos a primeira cadeira, atrás do Federico. Prometi a mim mesmo que se eu sentisse um cheirinho de fumaça de cigarro eu perderia a paciência. No final das contas, deu pra colocar nossas malas num canto bom, nossas poltronas acabaram não sendo o pior de todos os locais, deu pra aproveitar bem a paisagem da estrada, e saímos de Bordeaux rumo a San Sebastian, já na Espanha.

Ainda era antes de 8h quando saímos, e o sol (que já tinha saído desde as 5h30) parecia que agora que estava nascendo. Demorei pra me acostumar com os dias longos, mas foi bom porque deu para aproveitar mais. Pelo caminho fomos percebendo a mudança de terreno, mas ainda tinha belos campos franceses, até passarmos por um rio que é a divisa natural entre a França e a Espanha.

A partir daí percebi que a paisagem da campina francesa ganhou mais árvores, mas não diminuiu em beleza. Algumas horas depois estávamos chegando a San Sebastian, cidade na costa norte da Espanha, que tinha uma praia bonita e que eu tava doido pra tomar um banho lá, mas não íamos ter tempo para isso.

Quando chegamos, parecia apenas mais uma cidadezinha, mas quando chegou na praça da prefeitura, de frente pra baía... ô paisagem linda! Não conheço algumas das praias mais famosas do Brasil, mas me baseando nas nossas praias do nordeste, nunca havia visto nada igual. Havia a praça, bem cuidada, arborizada, e o prédio antigo da prefeitura. Logo depois era a praia, de águas calmas fechada por dois montes, deixando apenas o espaço que dava para o oceano.

Marcamos de nos encontrarmos para seguir viagem ali na praça, às 14hs. Mais uma vez, como em Blois, Toña só vez dizer: “Aqui é San Sebastian, os banheiros são pra lá, é só procurar, e a comida pro lado de cá!”, entrou no ônibus e foi embora mais uma vez com o Federico. Todos nós entramos num consenso de que havia um caso entre os dois, e que eles aproveitavam a folga para ir pr’um motel. Só pode!

Mas fomos andando pela orla, aproveitando a paisagem, tirando fotos, vendo um povo chegando pr’um casamento, uma espanhola tirou fotos nossas elogiando a beleza do casal, encontramos os benditos banheiros, mas acho que eles não usam lá, porque eu vi um senhor trocando de roupa na praia mesmo! Só coberto pela toalha, devia ser normal, tinha uma mulher de topless, mas foi a Gi quem disse, eu não vi.

Pena que não dava para tomar banho mesmo, senão não dava para ver alguma coisa na cidade. Além do mais, tava frio, quase meio-dia e fazendo 16ºC. Mas - apesar do trenzinho ser convidativo para rodar pelo centro - acabamos ficando ali pela região da prefeitura, onde tinha uns comércios e restaurantes, perto da igreja de São Sebastião. A cidade também foi mais um bode-expiatório, um pretexto para não dizer que passamos o dia inteiro viajando. Ao menos, um pretexto muito bonito, que eu adorei conhecer.

Fomos então nas lojas, lembrancinhas, comprei uma blusa da marca kukuxumusu, de lá mesmo, que faz estampas bem engraçadas, como a ‘ovolution’ que eu trouxe. Andamos mais um pouco, a igreja de São Sebastião tava em reforma, fomos até onde havia uma feirinha, e começamos a rodar atrás de comida.

Então, procurando algo que nos oferecesse comida de verdade (tendo em vista a experiência do dia anterior), entramos na casa do paellador, para experimentar a tal da paella, que até então eu nunca havia comido. A garçonete que tava na entrada disse que ainda não estavam aberto, mas deixou que a gente entrasse e se sentasse.

Logo ela trouxe o cardápio das paellas, e eu pedi uma de frango (maldita alergia a marisco!) e a Gi pediu uma mista, com frango e frutos do mar. Demorou um pouco, a fome já apertando o estômago, até que chegaram Paulo e Dorothy mais um casal de Pernambuco, companheiros de viagem, que até agora me arrependo de não ter decorado seus nomes e de não ter trocado contato com eles.

Ficamos conversando, Paulo não quis paella, pediu ovo (!), mas depois entendemos que ele era frugal em suas refeições. Por isso talvez aparentava boa forma física em seus 70 anos, apesar do cigarro tirar o seu condicionamento, não agüentava uma ladeira.

O tal do prato tava bonito e gostoso, mas como nosso colega pernambucano falou, não passava de um risoto metido a besta. Mas pelo menos comemos arroz, ô falta que fazia! Comemos, tiramos mais fotos, e quando vimos já tava na hora de ir para o ponto de encontro, para sermos carregados pela Toña.

San Sebastian é muito bonito, pretendo um dia voltar e conhecer um pouco mais. Quando estávamos saindo, os noivos daquele casamento que tava tendo perto da prefeitura também saíram de charrete pelas ruas da cidade, ruas muito bonitas por sinal. Um dia, quem sabe...

 

Olé!

 

Então pegamos a estrada de novo, rumo a Madri. Toña fez o que ela pouco fez na viagem todinha, explicando alguma coisa da região nos intervalos de seus cochilos durante a viagem. Depois de mais horas de viagem, chegamos a Madri e demos um olé em Toña. Chegamos ao hotel Florida Norte, nossa casa na capital espanhola e logo ficamos sabendo que a doida lá não ia ser mais nossa guia.

Subimos, não esperamos ninguém para levar nossas malas, fomos tomar um banho e aproveitar o quanto desse para descansar porque logo faríamos um tour pela cidade. O quarto era bom, uma boa vista da antiga estação de trem em frente ao hotel. Logo descemos para passear por Madri. Nosso guia agora era Gonçalo, que preferia ser chamado de Gonçalito. Foi uma peça que marcou nossa viagem e que explico porque no próximo dia.

Saímos então, passamos por algumas ruas, vimos vários arcos e portais da antiga muralha de Madri, passamos pelos jardins reais, pelas ruas do centro, tinha até uma despedida de solteiro, na porta de um bar. Não tinha nada que fosse muito chamativo, como a Eiffel em Paris, mas a cidade em si é muito bonita, com belas fontes e praças. Passamos pela estação de trem que sofreu o atentado terrorista e fomos até o Palácio Real, onde moraram todos os reis da Espanha, até a atual “administração”.

Ao chegarmos, havia um estacionamento que não era para ônibus, como o do Louvre. Então o motorista teve que encaixar o ônibus numa passagem estreitíssima e circular num estacionamento pra carro. O povo bateu palmas pela habilidade que ele teve de manobrar. Depois descemos do ônibus e subimos para a praça que fica em frente ao palácio.

Andamos um pouco, tiramos fotos, compramos uns crepes de chocolate gostosos que só, tava tendo uma pequena apresentação de teatro na praça, passeamos pelo jardim, comemos um biscoito com chocolate parecido com chegadinha, fizemos com que o vendedor aprendesse o que era chegadinha, mas não deu muito certo... e fomos até mais a frente, na entrada do palácio e depois ficamos curtindo o pôr-do-sol madrilenho.

Voltamos então para o ônibus e fomos passear mais um pouco até chegarmos a Plaza Mayor. Lá, ficamos livre (de novo) para fazermos compras e procurarmos um local para jantar, tinha até o restô mais antigo do mundo, quando se trata de nunca terem ‘fechado as portas’. Ficamos livres, mas pelo menos o tal do Gonçalito se manteve no local. Fomos entrando em várias lojinhas, comprando mais lembranças, nós e nossos amigos, mas em algum momento a gente se desencontrou.

Acabamos demorando mais um pouco nas lojas e comemos uma pizza bem na entrada da Praça Maior. Quando a gente tava comendo, Gonçalito chamou dizendo que o ônibus tava indo embora, porque ele havia combinado um horário para quem quisesse voltar ao hotel e quem quisesse passear por Madri a noite, poderia ficar a vontade. Só que ele ia embora sem muita gente, pedimos para ele esperar um pouco, e quando subimos no ônibus já queria ir sair saindo (eles não conhecem o pleonasmo, só pode, era subir subindo, descer descendo...). Consegui fazer ele esperar por nossos amigos que do nada apareceram.

Então fomos ao hotel deixar nossas compras e fomos atrás de uma boate, porque a Gi tava louca para conhecer o tutz-tutz da Espanha, recomendação da Ilane, uma amiga nossa. Descobrimos que havia uma boate na tal estação em frente ao Florida Norte, mas que não havia começado ainda. Então pegamos um táxi para ir para uma boate que o Gonçalo indicou, a maior, que fica num teatro antigo, de vários andares e cada andar um estilo de música...

Fomos ficamos rodando pela boate, vendo os andares, as músicas, no terraço tinha tipo um espaço zen, com almofadas e tal, ficamos um pedaço lá conversando e depois descemos, ficando um pedaço em cada canto. Não sei o que foi que viram nessa boate, talvez a sala de vídeos, quase um cinema, mas as músicas, o povo morgado... não gostei muito não.

Fomos até chegar ao térreo e do começou a abrir as cortinas do teatro e um bando de bailarinos vestidos com roupas minúsculas começou a dançar no palco. Eu me perguntei: de novo Moulin Rouge?! Sinceramente, era só pra chamar a atenção porque dançar e animar mesmo que é bom, necas! Fomos embora uma 2h30, tínhamos que acordar cedo no outro dia para irmos a Toledo.

Bom foi a aventura da volta. Pegamos outro táxi, um jovem dos cabelão e barbado dirigindo um Skoda turbodiesel, voava pelas ruas de Madri. Um pouquinho de emoção afinal (a Gi não gostou). Chegamos no hotel, a Gi ligou pra casa, depois subimos e fim do quinto dia.



continua...

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DB - DIA SEIS – 15.06.08 (DOM)

‘Parada hidráulica, família!’

 

O café da manhã do Florida Norte era muito melhor que o de Bordeaux Meriadeck Centre, mas era o padrão europeu: café, leite, suco de laranja artificial, brioches, pães, torradas, ovo mexido, bacon, lingüiça, queijo, presunto... era uma farra para mim.

Então todos embarcamos bem cedo para irmos a Toledo, distante uma hora, mais ou menos, de Madri. No dia anterior, Gonçalito havia começado a nos chamar de família, era a maneira dele se reportar a nós, quando combinava ou queria chamar atenção de algo. Foi quando ele marcou que antes de chegarmos em Toledo nós faríamos uma parada em um mirante para algumas fotos da cidade inteira e depois faríamos uma parada ‘hidráulica’ para banheiros.

Então saímos de Madri pelo túnel de maior extensão da Europa continental (tem o Eurotúnel, né?! Canal da Mancha) e pegamos a estrada rumo a Toledo. Paramos no tal mirante, um local no meio do caminho, na beira de um precipício, do outro lado do rio Tejo, de onde dá pra se ver toda a cidadela dentro das muralhas. Gonçalo explicou que dava para se destacar o Castelo no alto de um monte e a torre da igreja, mais ou menos na mesma altura, para deixar claro que todos estão abaixo de Deus e do rei.

Tiramos algumas fotos lá e então fomos para a tal parada hidráulica, que nada mais era que banheiros em uma loja de ouro. Que coincidência (!) a gente ter que passar pela loja, ouvir explicações de como são feitos os trabalhos dos ourives, para só depois chegarmos ao banheiro. Parada muito estratégica, vale Gonçalito?!

Mas valeu a pena (para nós e para os donos, é claro), deu para ver bonitas peças em ouro, ver como o mestre fazia os detalhes em pequenos medalhões trabalhados a fio de ouro, ver espadas medievais, orientais... Compramos eu e a Gi um conjuntinho de medalhão e brincos para minha mãe. Bem que eu queria também levar uma espada do ninja (renascer o Jiraya que havia em mim), mas não queria o risco (e nem tinha $$$) de ter que ser barrado nos aeroportos.

Voltamos ao ônibus, passamos pelo ponto onde nos encontraríamos mais tarde, e então Gonçalo e seu motorista nos levaram para dentro de Toledo, em um ponto bem elevado. Descemos lá porque ficava melhor descer a cidade conhecendo as coisas do que subindo. Então paramos um pouco em frente a arquidiocese e então Gonçalito explicou que rumo tomar para conhecer o centro da cidade, aonde teríamos comida para almoçar, comércio e então descermos para o ponto de encontro.

Então seguimos, fomos descendo escadas, ladeiras, fazendo curvas, que se fosse com a Toña, estaríamos fritos! Pelo menos isso o Gonçalo fez, até chegarmos ao ponto do comércio. Entramos em outra loja de peças de ouro, tiramos mais fotos, inclusive com Dom Quixote e Sancho Pança, e então fomos rodar pelo centro.

Depois de andar um bocado, vendo as lojas, procurando um restaurante, resolvemos almoçar em um restaurante a céu aberto, quase já descendo para a igreja de São João dos Reis. Almoçamos carnes, comemos pão com azeite e sal (Paulo que ensinou), tomando vinho, ô vida boa!

Depois fomos descendo para o ponto de encontro, passando pelos checkpoints que Gonçalito havia indicado, até quase nos perdermos, mas deu certo. Esperamos um pouco o ônibus, pegamos depois o pessoal que havia ficado com Gonçalo para almoçar (só quem tinha comprado a meia-pensão) e voltamos para Madri.

 

Quem é Jamelão?

 

Chegamos ao hotel e tínhamos a tarde livre, pois não adquirimos o passeio extra da tarde, para o castelo. Só estávamos no sexto dia e até então tínhamos descansado muito pouco. Já no retorno de Toledo Giselle já estava dormindo. Então quando entramos por quarto já fomos dormir. Se bem que eu não dormi muito, queria aproveitar ainda o dia, tinha que aproveitar também para ir na internet, dar notícias e ver o orkut.

Então, eu saí do Florida Norte e fui até a antiga estação em frente ao hotel, que soubemos que agora era um shopping, procurando por uma internet. Entrei e descobri um shopping bem legal, várias lojas, mas nenhum cybercafé. Fui então andando por uma rua, vendo o bonito cenário até finalmente achar uma lan house, cheia de chineses.

O próprio dono da lan house não parecia espanhol, me lembrava um turco, ou algo assim. Havia muitos orientais usando o skype na net, falando com seus familiares a milhares de distância. Talvez fosse a única hora que poderiam falar para coincidir os horários da China e da Espanha, porque depois que eu cheguei formou fila de ‘olhinhos puxados’ esperando um computador. Sorte a minha.

Depois de escrever, ver o blog, ver orkut, fui ver as notícias. As notícias que me chamaram atenção foram que em Paris teve uma revolta de estudantes em praça pública e que Jamelão havia morrido, e nada a mais. Quando eu voltei para o hotel, perto das 18hs, Paulo estava conversando com não me lembro quem (acho que com Balthazar, outro colega de viagem), e fumando como sempre. Então eu falei das notícias. Engraçado foi a cara dele de decepção por ter perdido uma revolta em Paris. Depois da Eiffel e do Arco do Triunfo, uma rebelião francesa seria o principal ponto turístico.

Mais engraçado ainda foi quando Paulo contou as notícias para os outros, que a Claudia soube que o Jamelão morreu. A reação dela foi emocionante: “O Jamelão?! O Jamelão morreu? Meu Deus, o Jamelão morreu?! Quem é Jamelão?”. A gargalhada foi geral. Realmente foi uma perda muito grande para a família, para quem faz carnaval, para quem é da mangueira... e só!

Enquanto alguns voltavam do passeio da tarde, eu subia pra acordar a Giselle. Descemos para jantar no shopping, tinha BurgerKing e McDonald’s, tinha uma loja só da Häagen-Dazs, com vários sabores, e depois fomos dar outra volta pelo local e ligar pra família. Compramos mais algumas lembrancinhas, uma carteira nova pra mim, e voltamos para o hotel para nos arrumar para ir ao espetáculo de flamenco que adquirimos.

 

Castanholas

 

Entre os opcionais de Madri, havia um passeio ao Corral de la Pacheca, uma premiada casa de flamenco, eleita por uma revista como a melhor da cidade. Saímos do hotel e fomos passeando por Madri, para buscar os demais grupos em excursão para assim irmos para o espetáculo.

Já era mais de 22h quando a gente chegou, e parecia que só estavam esperando a gente, porque foi só a gente se sentar que logo começou o show. Mas diferente do Moulin Rouge, fomos direto lá pra frente, ficamos bem perto do palco. Aliás, não foi só nisso que foi diferente (e melhor) do Moinho Vermelho: particularmente eu achei muito melhor este show do que o francês.

Tipo assim, era uma coisa mais de raça, mas cultura mesmo, você sentia o legado cigano em cada pisada, como o próprio Gonçalito havia falado, era um show pra quem gostava de flamenco e não só um show pra turista ver, como era o Moulin Rouge.

Sentamos na mesa, nos serviram os drinques a que tínhamos direito, e logo os músicos entraram e começaram a tocar. Os dançarinos foram aparecendo aos poucos, primeiro um homem e uma mulher, depois grupo de mulheres, depois todos estavam no palco, se revezando na dança. Aqueles que não dançavam sempre batiam palmas.

Era incrível como ninguém batia palma igual, mas saia lindo, sincronia de música e dança perfeitos. Quem dava o ritmo era quem tava dançando, de acordo com a sua inspiração e os músicos ficavam olhando para os pés e acompanhavam o ritmo e definiam a música. O espetáculo belíssimo, maravilhoso, que não deixava a gente desgrudar os olhos do palco. Fez diferença.

Então quando acabou o flamenco, fomos todos para os hotéis, e era tanta gente que praticamente fizemos outro tour por Madri. Cantaram parabéns para mim, pois já havia passado da meia-noite, e então chegamos ao hotel. Fim do sexto dia.


continua...

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DB - DIA SETE – 16.06.08 (SEG)

Vão a Mérida!

 

Amanhecido o dia, malas mais ou menos prontas, descemos para tomar nosso gostoso café e, depois, nos arrumar para deixar Madri rumo a Lisboa. Me surpreendi com Madri, achei bonita sim, um dia quem sabe talvez Deus queira eu volto. Antes de Lisboa, passaríamos por duas cidades: Mérida – ainda na Espanha – e Évora – já em Portugal.

A viagem começou como mudança: sai Gonçalo e entra Gesù. Isso mesmo, Jesus nos levou para viajar! Não foi uma mudança muito grande, apesar do Gonçalito ser mais engraçado. E então saímos de Madri em direção ao sudoeste, rumo a Mérida. Tememos e confirmamos que as passagens pelas cidades não passavam de simples ‘motivos’ para justificar um dia de viagem. Pelo menos a estrada continuou bonita.

Mas a viagem não foi tão tranqüila assim. Quando faltava uns 30km para chegar ao nosso primeiro destino do dia, uma viatura X-trail da Guarda Civil de Trafego espanhola mandou o ônibus parar no acostamento. Disseram que o ônibus passou por eles a mais de 100km/h, a máxima permitida. Aí foram ver tacógrafo, e acabaram vendo que o pára-brisa tava trincado, que havia uma batida remendada no pára-choque...

Só liberaram a gente para prosseguir viagem quando o motorista (um italiano que não me recordo o nome) pagou a multa em cash, €500,00 na bucha. E foi sorte, eles queriam apreender a carteira dele. Realmente o ônibus estava avariado, mas era tão bom quanto os outros, e o motorista também. Pecado é não poder passar dos cem em estradas tão boas. Enfim, fomos a Mérida!

Mérida não era apenas uma cidade de duplo sentido. Segundo nossos guias e o roteiro, Mérida fora uma cidade romana, uma das mais antigas, dona de um grande pólo arqueológico. E também tinha... mais nada, era só isso mesmo e a gente brincando com a pronuncia rápida do nome.

Nós chegamos em (ou na) Mérida por volta das 11h, se não me engano. Vimos - do ônibus mesmo - um circo romano, e descemos mais adiante em uma praça (de Mérida), próximo a um sítio, onde poderíamos visitar mais ruínas. Descemos, fomos andando, com Gesù nos indicando o caminho até a entrada do parque das ruínas, tiramos algumas fotos...

Pra entrar nas ruínas pagava-se, no museu - com escrita romana, mvseo - também, para andar de trenzinho também, talvez coisas que valessem a pena, talvez não, preferimos andar um pouquinho e encontrar um lugar para almoçar que era o melhor que a gente fazia mesmo, pois tínhamos pouco tempo. Ou seja, mais um pretexto pra não se dizer que passou o dia viajando.

 Entramos num restaurante próximo ao museu, e fomos recebidos por 3 embutidos de pernis de porco do pé preto, pendurados na entrada. Quase todos os da viagem foram para lá, ocupamos varias mesas, separados em dois grupos. Ficamos com os mais próximos: Paulo, Dorothy, Claudia, Maria Alice, Iracema. Ainda estavam Lúcia, Benedita, Cláudio, Balthazar, entre tantos na outra mesa. Conversamos, brindamos, foi um dos momentos mais felizes da viagem, rimos pacas, todo mundo já mais íntimo, foi ótimo.

Comi cogumelos e carne, o Paulo me viciou em comer pão mergulhado no azeite e sal, tomando vinho, muito gostoso. A fanta laranja de lá é de laranja mesmo, não é aquela coisa artificial daqui, é suco de laranja na água com gás. Depois de comer e tomar a sobremesa (o meu foi chocolate), cantamos parabéns para todos nós: Paulo e Dorothy haviam feito aniversário em junho, eu e a Gi também, então cantamos todos para a saúde de todos.

Saímos do restaurante direto para a praça, onde o ônibus já nos aguardava para mais um trecho de viagem. Quando chegamos, Gesù começou a contar quantos estavam pra saber se faltava alguém. Enquanto esperávamos, percebi uma musiquinha. O ônibus era enfeitado com bichinhos de pelúcia, uma mula de pelúcia, um touro vermelho e chifrudo de pelúcia...

A música vinha do touro, ficava cantando e dançando. Engraçado, mas confesso que estranhei um pouco um motorista gostar tanto de pelúcia. Tudo bem, era um motorista com brinco dos dois lados, que fazia luzes nos cabelos que lhe restavam, mas... deixa pra lá, preconceito meu, né?!

Então, quando chegaram os últimos que faltavam da nossa turma, Gesù contou mais uma vez, fecharam-se as portas e partimos para o próximo destino, Évora, deixando Mérida pra trás. Fomos felizes pela estrada porque Jesus nos tirou da Mérida. Quanto trocadilho infame!!!

 

Ora pois pois!

 

Então pegamos a estrada rumo a Portugal. Ao longo do dia, fui percebendo a mudança de terreno. Saímos de bosques e campos para alguns prados mais abertos e amarelados e árvores mais espaçadas, como os vinhedos. Não demorou muito e chegamos a Évora. Logo na entrada havia um aqueduto antigo, construído também pelos romanos, e depois fomos para o centro histórico da cidade.

Évora é uma cidade de ruas pequenas, bonitas, cheias de árvores, patrimônio mundial da UNESCO... e só. Vimos uma igreja aqui, ali, acolá, a cidade estava enfeitada para a festa de Santo Antônio, passamos por uma praça muito bonita, florida, com uma homenagem a Vasco da Gama, e fomos ao que pareceu ser o centro turístico da cidade, encontramos um bocado de lojas chinesas, e pronto! Acabou-se a cidade.

A única coisa que me chamou atenção foi o Tribunal da Relação (!), uma casa antiga como se fosse um tribunal de justiça mesmo, mas não sei pra quê servia. Todos concordamos por unanimidade que os portugueses gostam de discutir a relação. Também não posso me esquecer de contar dos pavões que vimos, um macho cortejando uma fêmea, mas pelo que vimos, eles vão recorrer ao tribunal.

Acompanhamos Gesù até o templo de Diana, uma ruína romana, mas nem chegamos a entrar, só serviu pra andar um pouco mais. Fomos porque pensamos que era pra subir com ele pra ver alguma coisa, mas ele foi só deixar um casal (que tinha uma filha linda, uma bebê chamada Diana) porque eles queriam tirar fotos lá.

Então fomos às lojas, já alertados que muitos dos produtos eram chineses, não eram tradicionais, eram cópias, que os orientais em Portugal tinham se tornado uma praga, bem como outros imigrantes. Tinha até uma loja chamada República das Bananas. Tenho certeza que o dono era brasileiro, e colocou uma bandeira portuguesa na fachada para enganar, já que os portugueses levam aquela maldita fama.

Então só andamos mais um pedacinho e começamos a voltar para o mesmo local onde havíamos deixado o ônibus. Demoramos ainda um pouco porque Balthazar havia perdido o cartão de crédito, provavelmente deixou na, ops, em Mérida, mas ele foi na loja que havia passado para confirmar. Depois que ele viu que não ia conseguir encontrar o cartão, subimos no ônibus e fomos para Lisboa, enquanto ele ligava para a prestadora para cancelá-lo.

 

“É uma casa portuguesa, com certeza...”

 

Então pegamos a estrada por montes descampados e repleto de bolas de feno espalhadas entre uma árvore e outra. Viajamos por mais duas horas de por bonitas paisagens, que eu não vi porque eu estava mobilizando o pessoal a se juntar para irmos para Fátima na tarde do dia seguinte, pois o nosso passeio não incluía tal itinerário. Muita conversa depois, chegamos a mais um pedágio de vários que passamos desde que saímos de Paris. Logo após o pedágio, já avistamos a ponte suspensa sobre o rio Tejo, sinal de que havíamos chegado em Lisboa.

De longe, já se apreciava uma bonita imagem, passamos ao lado de uma réplica do Cristo Redentor (braços abertos sobre o Tejo) e de repente começou uma comoção geral, uma onda de ÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓÓ, NOOOOOOOOOOOOOSSA tomou de conta do ônibus. E com razão, a visão que se revelava era linda demais, a foz do Tejo, o atlântico aberto e a gente passando sobre o rio, uma cena muito bonita e marcante.

Daí por diante fomos apreciando um pouco da cidade enquanto o ônibus nos levava direto ao hotel. Além da ponte 25 de abril, vimos as docas do Tejo, passamos por um outro aqueduto (também bem conservado), por casas e bairros da cidade, até chegar ao SANA Metropolitan. Não sei bem, mas me pareceu ser o melhor hotel durante a viagem, além de bonito e confortável, tinha a vantagem de se falar português sem ninguém olhar estanho pra gente, me senti em casa. Melhor até mesmo frente ao ótimo Novotel Porte d’Italie, de Paris. Se não foi o melhor, os dois empataram.

Tínhamos então a noite para descansar, mas a gente não ia ficar deitado em euros por muito tempo. Combinamos de ir a algum canto, uma restaurante, um passeio, um fado, qualquer coisa. Resolvemos ir para uma praça do Rossio, e de lá a gente decidir onde jantaríamos. Sendo assim, descansamos um pouco, e depois descemos para o rol. Na minha cabeça, iríamos só os mais chegados, mas fomos quase todos da excursão.

Fomos de táxi para um ponto que combinamos, a tal praça, e lá ficamos esperando para que os outros chegassem. Detalhe: quase todos os táxis de lá são Mercedes-Benz, e mais incrível foi o preço, muito barato mesmo, mais barato que aqui no Brasil e muito! Em outro momento rodamos por quase vinte minutos e gastamos €5,00. Mas sim, o povo chegou e fomos andando por ruazinhas estreitas, apreciando a lua cheia, descendo umas ladeiras (o Paulo adorava as ladeiras), vimos o castelo de São Jorge ao fundo...

Passando por uma ladeira, vimos uma casa de fado, que entramos e resolvemos ficar. Ô lugar aconchegante! Não era um restaurante para muitas pessoas, nós ocupamos quase metade do local, que tinha uma vista linda de Lisboa, ao cair da noite, toda iluminada. Nos distribuímos nas mesas - que juntamos para não ficar ninguém separado – e começamos a fazer nossos pedidos, os garçons eram brasileiros em sua maioria, e conversamos, contar histórias, foi um momento muito bom da nossa viagem. Eu tava com uma vontade de comer massa, mas aí a Lúcia disse: vir a Portugal pra não comer bacalhau?! E o que é que tem?! Só não comi a massa porque a garçonete me recomendou um peixe como o melhor prato da casa.

Logo quando a casa “lotou”, o senhor que havia nos recebido se preparou para começar o fado. Era ele o cantor, uma senhora sentada, e dois músicos: um rapaz revezando entre a ‘guitarra portuguesa’ e o violão, e um senhor tocando a ‘guitarra espanhola’.

Tenho até agora a primeira música que ele cantou, “Cante o Fado!”, totalmente diferente daquela coisa puramente melancólica que eu achava que era o fado. Mas então ele cantou outras tantas músicas, a senhora também, com uma voz marcante, cantando “Uma Casa Portuguesa”, cantou também uma música que a mãe da Dorothy cantava antigamente, fazendo ela chorar... comprei novas flores para Gi, cantamos parabéns mais uma vez e foi tudo muito bom.

Tirando a falta de respeito de um grupo de jovens portugueses que não se calava para ouvir o fado, já que era tudo no acústico e no gogó, o resto foi muito bom: a comida, as companhias... Mas estava ficando tarde, e resolvemos ir de volta ao hotel. Então fomos descendo o resto das ladeiras até encontrar um ponto de táxi.

Então eu e a Gi, a Cláudia e a Iracema pegamos um Mercedes, deixando a Cláudia ir na frente. A cara do motorista parecia que ele tava anos sem dormir, uma cara morta, não sei, não me transmitiu segurança. Nem a cara nem a sua condução. Juro! Eu que gosto de carro, que gosto de velocidade e de ‘com emoção’, não via a hora de chegar no Hotel. Simplesmente o motorista só conhecia a primeira e a segunda marchas, e acelerava até o talo e só deixava pra parar quase batendo no carro da frente.

No começo achei até legal, mas depois ficou perigoso! A Cláudia ficou nervosa, todo tempo olhava pra trás para disfarçar um pouco, segurando nos ‘PQP’ do carro, assim como a gente que tava atrás segurava nos bancos da frente. Teve uma hora que ele não bateu por milagre. Tinha dois carros parados no sinal a nossa frente e ele simplesmente não freou! Ele ia bater nos dois, até que um dos carros avançou um pouquinho e ele foi atrás dele, só que o carro não prosseguiu e aí eu fechei os olhos e disse mentalmente: Bateu! Bateu! Bateu!!!

Não bateu por pouco, porque era Mercedes e tinha feito a revisão do freio no mesmo dia, porque era cada pisada que ele dava... Mal deu pra apreciar Lisboa a noite, queríamos mais era chegar logo no hotel. Pouco tempo depois nosso desejo estava realizado e, apesar do piano-bar do hotel ser bem convidativo, subimos para dormir enfim, e descansar para mais um rojão. Fim do sétimo dia.


continua...

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DB - DIA OITO – 17.06.08 (TER)

Lisboa terra boa

 

Acordamos e fomos tomar café, confirmando que o hotel era realmente muito bom, estava ótima nossa comida. Subi só para escovar os dentes e logo depois fomos para o ônibus. Gesù não era mais nosso guia (apesar de Jesus continuar sempre conosco), ele continuou com outro grupo que estava começando a excursão e ia fazer nosso caminho inverso. Agora havia assumido um brasileiro, que não me lembro o nome, e a Ana, que não consegui identificar sua nacionalidade, mas muito engraçada e informada.

Partimos então para um tour pela bela Lisboa, passando por várias praças, igrejas e monumentos. Paramos um pedaço no Parque Eduardo VII para tirar algumas fotos, e depois rodamos por obeliscos, fontes, estátuas, prédios, até chegar a beira do rio Tejo. Passamos pela praça Marquês de Pombal, pela Basílica de Estrela, por baixo da ponte 25 de abril, até chegarmos ao monumento ao descobridores.

Logo em frente estacionamos perto da Torre de Belém, parada hidráulica e para fotos. Vimos um monumento aos que atravessaram o atlântico, uma réplica do hidroavião que cruzou o oceano pela primeira vez, de Lisboa ao Rio de Janeiro. Também vimos a tal torre, que eu pensei que fosse mais alta, que além de torre servia de prisão, a beira do rio.

O problema foi que algum português mandou enfeitar a Torre de Belém, com um colar de bolas vermelhas e douradas. Ninguém sabia dizer para quê, talvez porque estávamos em plena eurocopa e essas são as cores da seleção de lá, mas ficou feio demais, foi burrice. Pelo menos a réplica de bronze tava normal. Depois voltamos ao ônibus para irmos para outro ponto.

Chegamos ao museu da Marinha, perto de um planetário e do mosteiro dos Jerônimos, nosso destino. Essa igreja é uma das mais antigas de Lisboa, e ‘sobreviveu’ intacta ao grande terremoto/maremoto de 01 de novembro de 1755, a não ser por suas estátuas de santos, que caíram todas, no dia de todos os santos. Mas a igreja é muita bonita, tinha alguns mausoléus – como o de Camões - e vitrais belíssimos.

Depois daí, o grupo iria separar. Quem havia comprado o opcional de Sintra, Cascais e Estoril iria com um grupo, e quem quisesse passar a tarde livre (nosso caso), um outro ônibus iria nos deixar na praça do comércio para almoçar e então ficaríamos livres.

A gente só teria mais essa tarde para conhecer Fátima. Já pensou, ir a Portugal e não ir a Fátima?! E eu queria muito isso. Tentei persuadir a todos no grupo pra gente convencer o pessoal da Europamundo a nos levar para Fátima, um passeio extra, mas só uma voz não conseguiu fazer muita coisa. As pessoas do nosso grupo decidiram ir na quarta pela manhã, alugando uma van, mas seria muito pouco tempo pra gente ir e voltar a Fátima para estar meio dia no hotel para viajar a tarde de volta pro Brasil.

Então decidimos só almoçar e ir por nossa conta e risco até lá. O ônibus da Europamundo nos deixou na praça que tem um monumento de D. Pedro IV (IV deles, o nosso I), perto da praça da Figueira e do elevador da justa, e fomos almoçar na rua Augusta, perto da estátua de Fernando Pessoa.

Paramos em um restaurante, que eu não sei bem dizer de que cultura era. Tinha fachada portuguesa, garçons árabes, comida italiana... finalmente pedi a minha massa, a Giselle também, e estava ótima. Depois pegamos um táxi e fomos direto para uma estação rodoviária, tentar pegar um ônibus para Fátima.

 

‘Colo de Mãe’

 

Chegamos ao terminal perto das 2 da tarde, e tinha um ônibus saindo exatamente às 14h para Fátima. Pegamos todas as informações de horários para voltar, aonde comprar a volta, enfim... Embarcamos e partimos. Tentei dormir um pouco no caminho, mas quem disse que o calor deixava?! O motorista simplesmente não ligou o ar-condicionado e à medida que o caminho avançava, o tempo foi esquentando, diferente do que tava de manhãzinha.

Mas depois o motorista ligou o ar e deu pra aproveitar um pouco da paisagem na ida, um tanto quanto diferente do que havíamos visto. Eram montes, colinas e terrenos pedregosos, 130km e um pouco mais de 1 hora e meia de viagem até chegarmos lá.

Chegamos então ao terminal de Fátima, confirmamos os horários de volta a Lisboa e perguntamos como faríamos para chegar até o Santuário. Era bem fácil, era só sair do terminal e subir a primeira rua até chegar num grupo de lojas e logo em seguida acharíamos o nosso destino.

E que coisa boa foi estar lá! Tudo bem que no começo eu não senti aquela coisa que esperava, de ficar ansioso, emocionado... Entramos no Santuário, vimos primeiro o grande pátio, com sua cruz estilizada, e logo após a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, muito impressionante. Então fomos entrando, reconhecendo o terreno, até que a Giselle me chamou a atenção. Ela me fez olhar pro lado esquerdo e aí li os dizeres:

 

CAPELINHA DAS APARIÇÕES

Aqui apareceu Nossa Senhora

 

Pense num homem se derramando em lágrimas! Aí sim comecei a sentir todas aquela emoção que eu esperava, mas era porque até em então não havia caído a ficha. Daí pra frente foi só emoção. Ficamos um pouco na capelinha, tava na hora da comunhão, daí fomos passeando até chegar a basílica, fotos, fotos e mais fotos, até entrarmos na igreja.

Mais fotos, visitamos os túmulos de Jacinta, Lucia e Francisco, e procuramos saber dos horários das missas. Nem escondo que fiquei feliz em saber que daria para assistir uma missa lá. Esperamos um pouco sentados nos bancos, vendo o livro ‘Canta Povo de Deus’ que eles mesmo disponibilizam para o acompanhamento dos ritos litúrgicos.

Logo um homem vestido a rigor estava anunciando a missa, e um outro senhor começou a tocar no órgão menor. Era interessante porque o comentarista (o tal homem bem vestido) também era o cantor e regia nossas vozes como se fosse um maestro. A missa foi muito boa, ficamos muito felizes de ter participado. Mas não acabou por aí.

Antes da viagem, nós estávamos um pouco apreensivos com a saúde de uma parenta, e meu tio tivera realizado o transplante de coração na semana do meu casamento, e Deus nos tocou que era pra nós (de tão pouco que estavam assistindo àquela missa) quando o padre falou de uma benção especial para aqueles que estavam enfermos em nossas casas.

Quando acabou a missa, fomos saindo pelo corredor central da basílica, e uma senhora que estava sozinha, ajoelhada em um dos bancos do meio pra trás, fez-nos parar e disse, não sei se bem com essas palavras: Olhe, é Maria quem está mandando eu entregar isto a vocês. Que a vida de vocês seja abençoada e continuem rezando. Era um terço muito bonito, e eu nem sei bem o que foi que ela disse porque a confirmação também veio de imediato, e nós três caímos em prantos.

Foi um dos momentos mais emocionantes de confirmação, de toque, da presença e certeza de Deus e de Maria. Saímos de dentro da basílica, mas eu continuava chorando copiosamente, agradecendo a Deus por tudo. Quando me acalmei um pouco mais, escrevemos nossos pedidos de oração, vimos mais informativos e então fomos continuar conhecendo o santuário.

Demos uma volta por trás da basílica, por um bonito jardim, fomos para frente de novo, andando pelo grande pátio, passeando pelo outro lado do santuário. Fomos pra perto da cruz alta, em direção a igreja da Santíssima Trindade, vimos a estátua de João Paulo II, de Pio XII e entramos na igreja. Curioso é que nas portas da igreja, em cada uma das doze, tem o nome dos discípulos, com Matias substituindo os posto de Judas Iscariotes.

Dentro da igreja era muito bonito, ficamos um pedaço lá, mas logo tínhamos que sair porque não nos restava mais muito tempo. Deixei Giselle fazendo algumas compras enquanto fui comprar nossa passagem de volta para as 20hs, o último ônibus de retorno para Lisboa. Voltei, compramos mais algumas lembrancinhas, e fomos atrás de comer alguma coisa.

Ainda esperamos um bocado para que o ônibus chegasse e, apesar do sol ainda forte, fazia um frio de bater queixo. Adoramos nossa estada em Fátima, foi muito melhor do que ter vindo com a excursão e ter aproveitado só 2 horas. Pois ficamos naquele lugar santo por 5 horas, e foi uma das melhores experiências da minha vida. Deixo então os dizeres do teto da basílica para todos: Regina Sacratissimi Rosarii Fatimae Ora Pro Nobis

 

Piano-bar

 

Nosso ônibus chegou e então voltamos para Lisboa. Desta vez, aproveitei mais a paisagem, realmente muito bonita, e ainda mais bonita pois era guarnecida do pôr-do-sol e da lua cheia subindo no céu. Montes, colinas, árvores, casinhas iam enfeitando a visão dessa gratificante viagem.

Chegamos na capital por volta das 22h, um pouco mais talvez. Enquanto a Gi subia para começar a arrumar as coisas, eu tentava passar algumas fotos para os pen-drives, mas o computador não reconhecia as máquinas, problemas no USB de lá. Aproveitei pra ficar um pedaço na Internet e quando fui pagar na recepção, para minha surpresa, não me cobraram os €4,00 por 15 minutos. Acho que eles se envergonharam, ou melhor, tiveram um pouquinho de senso.

Eu ainda morrendo de fome, fui pro piano-bar do hotel, tão chique que o Alex poderia dizer sua frase por lá também. Pedi um sanduba, com um refri, enquanto eu ouvia o maestro tocar música clássica: tudo a ver! Mas foi um bom momento, um momento bon-vivant: sentado no room de num hotel da Europa, aproveitando o fim de um dia maravilhoso, comendo bem, ouvindo boa música.

E realmente, foi um dos momentos que eu imaginava como sendo extremamente prazeroso. O sanduíche tava bom, com salada e batatas, a música tava ótima, tive a oportunidade de conversar com os garçons e ainda brincamos com maestro, para saber com qual das italianas que cantavam suas músicas ele iria se retirar naquela noite. Obrigado meu Deus! Fim do oitavo dia.


continua...

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DB - DIA NOVE - 18.06.08 (QUA)

Mais uma voltinha

 

Quando a gente acordou já foi logo para terminar de arrumar as malas e tomar café, aproveitar o último contato com os nossos amigos de viagem, além –óbvio – de aproveitar o maravilhoso café da manhã. De longe, este hotel foi o que melhor nos recebeu, a moça que ficava perguntando o número de nossos quartos sempre estava com um sorriso no rosto, sempre agradecendo.

Depois, pegamos um táxi, fomos até o centro, no mesmo ponto onde havíamos almoçado no dia anterior, para passear, rever algumas coisas que a Giselle tinha gostado, tentar comprar alguma lembrancinha...

Passou rápido, e também não podemos aproveitar muito porque as lojas abriram tarde, por volta das 10hs. Era engraçado porque até encontramos lojas com vendedores portugueses, com cara de Portugal, decoração portuguesa, mas o caixa sempre denunciava: as lojas (e os donos) eram chinesas. Fazer o quê, eles estão em todo canto do mundo.

O nosso traslado para o aeroporto tava marcado para as 12h15. Então a gente foi lanchar e pegamos mais uma vez um táxi para irmos ao hotel. Arrumamos o resto das malas, e essa foi uma das horas que doeu, sabia que tava perto de voltar à realidade: aquilo tudo foi um sonho.

Então descemos, encerramos a conta, ficamos na lojinha do hotel gastando nossos últimos euros com mais lembrancinhas, até chegar a van que iria nos levar mais uma vez ao terminal aéreo lisboeta. No traslado, fomos eu e Gi mais outro casal que nos acompanhou a viagem desde Madri, que eu não sei os nomes.

Chegamos no aeroporto faltando mais de 2 horas pro nosso embarque, nosso vôo tava marcado para 15h20, ainda era 13h. Então fomos andar mais um pouco pelo aeroporto, tiramos umas fotinhas numa máquina lá, tirei foto com um BMW que estava num estande lá dentro, comemos e depois ainda fomos comprar chocolates pra comer durante a viagem e pra dar pra Jéssica (minha cunhada) quando a gente chegasse aqui. Ô recordação boa dos chocolates de lá!

Aí então ficamos sentados um pouco esperando dar a hora, compramos uns chicletes e ficamos conversando sobre as coisas que vimos entre outras coisas mais. Faltando uma hora, mais ou menos, para a hora do vôo, fomos procurar nosso terminal de embarque. Andamos um bocado pra encontrar a alfândega, e depois mais outro bocado pra achar o nosso terminal. Pense! Andamos pacas de novo, passamos por vários gates até encontrar o nosso, que já tava com uma fila...

Esperamos um pouco, apresentamos nossos cartões de embarque, e descemos pra pegar mais uma vez o ônibus. Rodamos pela pista do aeroporto inteiro, até chegar no A330 que ia nos levar de volta a realidade. Mas antes de subir a escada, a última vez (por enquanto...) que colocamos nossos pés e solo europeu.

 

“Estamos indo de volta pra casa...”

 

O Airbus da TAP era bem parecido com o que a gente veio, só não era igual mesmo por conta que a tela de entretenimento era mais paia. Não tinha tanta opção nem touch screen como no primeiro, mas a disposição das poltronas era a mesma, de novo pegamos a 19 A e B, mas desta vez eu deixei a Giselle ir na janela, apesar de que ela dormiu a viagem toda.

Decolamos, e dessa vez o avião já começou fazendo muita curva enquanto ganhava altitude, acabei ficando um pouco enjoado com as turbulências. Aos poucos já não se via mais o continente e então atravessamos o atlântico novamente, mais 7 horas de vôo. Até que eu dormi um pouco, mandaram fechar todas as janelas, pra quem quisesse dormir e porque realmente a luminosidade era forte.

A única coisa interessante mesmo no retorno foi quando o sol tava começando a se por, e foi bonito de ver. Mais bonito ainda porque do outro lado, o nosso, a lua cheia tava nascendo, realmente espetacular. Só que sempre tem que ter um babaca, né?! Uma mulher louca lá ficou narrando aos gritos o pôr do sol com o nascer da lua. Quando ela deu o primeiro grito: “gente, olhem pra esquerda que a lua...” (!), tava todo mundo dormindo, um monte de gente levou um susto e eu acho que até o comandante soltou alguma imprecação contra ela.

Pouco depois do sol ter se posto, uma claridade apareceu na janela: era a gente se aproximando de Fortaleza. Logo deu pra ver o litoral, aquela mesma beleza relatada antes e que, de novo, não bati foto. Mas enfim, virão outras oportunidades. O Avião deu a volta e aos poucos foi fazendo a aproximação, passando rente nas casas do montese (coitados!), e um pouso perfeito. Tudo bem, pouso perfeito, mas precisava a babaca lá começar a bater palma e cantar musiquinha?!

Taxiamos, estacionamos e deixamos o avião. Apresentamo-nos a fiscalização, e ficamos esperando nossas bagagens, que demorou pacas pra vir. Acabei por encontrar um amigo meu da época de Escola Técnica, que estava retornando de Portugal com a mulher, tava morando por lá. Deu até vontade de imitar, quem sabe depois?!

Pegamos enfim nossas bagagens, as nossas famílias estavam nos esperando no portão de desembarque internacional, abraçamo-nos, matamos um pouco da saudade e depois fomos pra casa, desfazer as malas, começar a ver as lembranças, aos poucos acordar de 9 dias de sonho.

 

Epílogo

 

Realmente, não poderíamos ter feito escolha melhor, marcar um grande momento – que foi nosso casamento – com outro grande evento. O casamento por si só já foi a realização de um sonho nosso, e do jeito que foi, uma celebração e uma festa linda, com o complemento dessa viagem maravilhosa, foi a perfeita execução de um conto de fadas.

Mural de Frases

  • "Eu não sei o caminho para o sucesso; mas, sem dúvida, o caminho para o fracasso é agradar a todo mundo" John Kennedy
  • "Eis o que diz o Senhor: maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!!!" Jr 17, 5
  • "outro dia um cabeludo falou: não importam os motivos da guerra, a paz ainda é mais importante que eles..." Roberto Carlos
  • "Felizes os que temem o Senhor e trilham seus caminhos." Salmo 127, 1
  • "Totus tuus ego sum, o Maria, et omnia mea tua sunt" Frase de Consagração
  • "Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina." Cora Coralina, frase da minha monografia
  • "Quero render-te glória, a tua destra me conduz..." Adriana - Glória e Majestade
  • "O segredo da boa vida: oração, brócolis e caminhada!" Cintia Moscovich, escritora
  • "Por baixo dessa máscara não há só carne, há ideías, e idéias são a prova de balas!" V, do filme 'V de Vingança'
  • "Um mundo, um sonho!" Pierre de Frédy, o Barão de Coubertin
  • "Why so serious?!" Joker, o coringa em 'Batman - O Cavaleiro das Trevas'
  • "Conheço muitos que não puderam quando deviam porque não quiseram quando podiam!" François Rabelais
  • "O que é errado é errado, mesmo que todos o façam; O que é certo é certo, mesmo que ninguém o faça!" Sri Sathya Sai Baba
  • "Reze! E enquanto reza... faça!" Provérbio Africano
  • "Por que Jesus tornou-se pão? Para me ensinar que a vida só tem sentido quando resolvemos alimentar aos outros com aquilo que somos! Somente quem morre entende a vida." Karla
  • "Paris és mui chique!!!" Frase de um dos nossos guias, brasileiro por sinal, em Paris.
  • "Depois de andarmos por diversos e diferentes caminhos, nos encontramos. Evolvidos por um verdadeiro amor, decidimos viver um para o outro e ambos para Deus. Derramai, Senhor, sobre nós o teu Santo Espírito, para que juntos possamos construir uma perfeita união. Um com o Outro, Nós por Vós." Texto do nosso Convite de Casamento, autoria nossa!
  • "Vamos viver nossos sonhos, temos tão pouco tempo..." Charlie Brown Jr. - Como tudo deve ser
  • "No News, Good News!" Ditado
  • "El que no se aventura, no cruza el mar!" trecho de conto espanhol - Autor Desconhecido
  • "Santo não é aquele que não peca. É aquele que até peca, mas se levanta todas as vezes" Pe. Léo
  • "Jesus, lembra-te de mim, quando tiveres entrado no teu Reino" Lc 23, 42b
  • "Hoje livre sou!" Ministério Adoração e Vida
  • "Sou um milagre, renasci...!" Ministério Adoração e Vida - Um Milagre
  • "...mas Deus vem lhe dizer, permito que carregue a Cruz no caminho do calvário, mas quando lá chegar, a Cruz é o meu lugar. É preciso coragem...!" Walmir Alencar - Coragem
  • "Para se fazer um milagre, é preciso crer no milagre... não basta apenas pedir, é preciso gestar o milagre dentro de nós" Pe. Léo.